
O desengano da morte
Descendo extensa escada, perfeitamente simétrica, em seus ângulos, que, se repetem, na pedra embutida, enriquecida, de mármore e madrepérola, sem que me dê conta, como que, entorpecido, os sentidos, ou qualquer realidade, recuo no tempo, ao encontro da sujidade, dos becos e das pedras, que sobre pedras, se vão amontoando, no chão, a cada nova derrocada, de mais uma casa antiga.
Reconheço o sítio e os cheiros, nauseabundos, por onde entrava, para passar a noite, e meus braços, deixaram de reagir, adormecidos, pela injecção da manhã. Aterrorizado, vejo que, minhas veias, são crostas, que eu posso levantar, com os dedos, e na carne, em sangue, aí, introduzir a agulha, para minha paz e sossego.
Nada tinha mudado; e, entre a confusão, vi-me de novo, rodeado, de amigos mortos, por overdose. Enquanto, sem descanso, subindo e descendo escadas, entre becos imundos, pessoas, entrando, na casa esburacada, freneticamente, pediam, o tão desejado, quanto necessário, pó de anjo.
E, lá estava, o Jorge, ante meus olhos, magro, velho e doente, sentado, junto a um resto, de parede, de roupa completamente suja, com o dinheiro, numa das mãos e na outra, a maldita heroína e cocaína, para poder satisfazer, dia e noite, as centenas, de clientes, sem parar.
Roubando-me, ao pesadelo, alguém, descendo, pela mesma escada simétrica, enriquecida, de mármore e madrepérola, vendo-me, de todo, adormecido, resolveu acordar-me, pois que, lhe pareci, bastante inquieto. Por fim, desperto, agradeci, e, sentado, tentei pôr as ideias, em dia.
Engraçado, as metamorfoses, a que a mente e o corpo, pelo sono, nos sujeitam, indo buscar, o que há muito, morreu, dentro de nós… Jorge Humberto

Que escorre em minha boca, Alimentando meu corpo, E satisfazendo minhas vontades! Enquanto isso, você aparece Cruzando meu caminho Me envolvendo em seus braços E na sua vida! Não fazendo idéia de que já roubou meu coração! E não percebes sua crueldade A qual me amedronta e me feres Me deixando solitária A qual pune meu coração e minha mente! Com ansiedade aguardarei sua decisão final Sobre de quem precisas e de quem amas! Pois sei que me queres de alguma forma, Amarei-te eternamente, meu caro Lestat! E se preciso, saberás que Morrerei por ti, morrerei em ti
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A BELEZA DE UM DESERTO
Sobre o vermelho intenso, que cobre, toda a paisagem natural, de um deserto, com o chão coberto, de um fino pó, de cor ocre, assim seus penhascos e montanhas, que, pelo bater, constante, dos ventos, formam desenhos e figuras, bastante originais, à mistura, com monolíticos, enquanto algumas cavernas, são atingidas, por redemoinhos, furiosos.
No entanto, se bem o notarmos, mesmo neste espaço, quase lunar, existe vida, acima da poeira, onde raiz, parece, não ter, onde se fixar, e, grandes concentrados, de erva, com sua cor verde, são como que pequenos paraísos, para os poucos animais, aí residentes, que se vão alimentando, das folhas e das flores rasteiras, pois que, tudo ali, é completamente dominado, pelo sol.
Naturalmente, conforme, a disposição do sol, ao bater, nas montanhas e penhascos, afastados uns dos outros, que, a sombra, também prevalece, a espaços, e é então, que nessa altura, os animais, saem de seus esconderijos, procurando um pouco do fresco, momentâneo, e, assim, brincarem juntos, fortalecendo laços familiares, embora atentos ao céu e às águias, vigilantes.
O céu encontra-se claro, suas nuvens brancas, como algodão. E, possivelmente, estarei, algures, a meio, de um, de muitos, desertos, australianos, pois que, a paisagem, me é, familiar. Fascinado, com a sabedoria indígena, do povo destas terras, a que chamam, de aborígenes, é preciso muito amor, realmente, na preservação de suas raízes e raros costumes, para se viver, em condições, tão adversas.
Jorge Humberto

Não muito longe de minha casa, existe uma bela aldeia, com sua imensa alameda, rodeada pelas sombras, das enormes, árvores
A estrada é de terra batida e de cada um dos lados, onde caídas as folhas, verde tapete floresce indo arrimar-se à cal dos muros
Encostada ao branco mais puro da arte o belo muro, incessante uma velha fonte de água fresca saciando vem, os ditos aldeões
As casas, têm tanto, de simples como de bom gosto imperando o branco no correr das paredes linda madeira moldura à janela
Jorge Humberto
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